Destination wedding: o casamento da Lalai e do Ola

Fiquei aqui babando quando vi as fotos do casamento da Lalai e do Ola (lembram do post sobre hashtags de Instagram de casamento? Eles usaram #olalai). O cenário: uma charmosíssima igrejinha antiga no interior da Suécia, na cidade natal do noivo estrangeiro. Pedi pra ela contar aqui pra vocês como foi organizar um casamento no exterior (o famoso destination wedding).

Destination wedding: casamento Lalai e Ola na Suécia.

Os preparativos

“Sou brasileira e meu (agora) marido, sueco. Quando eu o pedi em casamento (sim, partiu de mim a iniciativa!), logo sugeri de não ser no Brasil por alguns motivos.

Aqui, tudo é muito caro e grandioso. Além disso, sempre tem pessoas que ficam magoadas se não forem convidadas, mesmo que não sejam tão próximas (mas acham que são), e casar em outro país ameniza isso…

A nossa idéia era fazer algo pequeno, com pessoas que são importantes nas nossas vidas e tem uma ligação com nossa história. Ainda assim, não foi fácil selecionar a dedo 100 pessoas para serem convidadas, incluindo casais, família, amigos.

O plano foi casar na Escandinávia, mas não propriamente na Suécia. Eu queria como cenário o sol da meia-noite, enquanto o Ola queria o mar. Acabamos achando Lofoten, um arquipélago que fica acima do Círculo Polar Ártico, na Noruega.

Fomos visitar o local já no início do outono (outubro de 2012) e saímos estupefatos após uma road trip por todo o arquipélago, que é um dos lugares mais lindos que já visitei. Mesmo sem sucesso com contatos locais, pois no verão as pessoas praticamente somem de lá, voltamos super animados com mil planos na cabeça.

Mas em 3 meses, desistimos dessa idéia, pois, além de sacar que seria uma via sacra pra os convidados chegarem lá, seria um pesadelo conseguir produzir um evento em um lugar que tem uma estrutura muito rústica, sem qualquer contato local ou alguém perto pra ir checar as coisas pra gente…

Foi aí que decidimos por Gotemburgo, na Suécia, que é a cidade do Ola, podendo assim contar com o apoio da família dele para nos ajudar de lá. O sol da meia-noite caiu, já que esse fenômeno não acontece abaixo do Círculo Polar Ártico, mas mantivemos o mar como cenário.

Destination wedding na Europa: casamento de Lalai e Ola em Gotemburgo, na Suécia.

Depois de várias pesquisas com a ajuda do meu sogro, acabamos decidindo por uma ilha no meio do nada a 1h de barco de Gotemburgo. Isso foi em fevereiro deste ano. Em março, eu fechei uma wedding planner aqui no Brasil para nos ajudar (a Bia, do Luv Wedding).

Foi uma maratona: teríamos cinco meses pra fazer tudo, já que o casamento foi marcado pra 3 de agosto de 2013, para concilia-lo com um festival de música que rola em Gotemburgo (dando, assim, um motivo a mais para os nossos convidados irem até a longínqua Suécia).

Confesso que não foi fácil por vários motivos: a gente nunca tinha tempo pra ver as coisas com calma, não tínhamos claro o que queríamos e percebemos que ter um contato na cidade em que se vai casar, ajuda muito. Por mais que a internet ajude, contato local faz toda a diferença, pois sempre tem dicas que não necessariamente tem a ver com ‘casamento’.

E tudo saiu com atraso, incluindo o convite, que foi enviado somente no final de maio, que fez eu ter que ligar para todos os convidados e enviar um save-the-date.

Quando finalmente o convite já estava na gráfica, a Bia já tinha uma wedding planner local, que foi junto com os pais do Ola visitar a ilha que tínhamos fechado e não trouxeram boas notícias. Além do lugar ser muito rústico e necessitar de uma super produção, havia o risco de no dia não conseguirmos chegar na ilha caso estivesse chovendo. Ou seja, no final de maio simplesmente não tínhamos o lugar pra nossa festa.

Por sorte, tínhamos decidido no meio do caminho que a cerimônia não poderia ser nessa ilha, pois o local era muito pequeno pra abrigar espaço para cerimônia e para a festa. Mesmo não tendo religião, acabamos fechando uma cerimônia ecumênica numa igreja numa ilha linda de morrer numa fortaleza cheia de história, Nya Älvsborg Fästning. Claro que seria um trabalho extra: meia-hora de barco pra levar os convidados da cidade até a ilha, depois mais 1h de barco para levar todos dessa ilha para a outra, o que me incomodava bastante.

Finalmente, em meados de junho, conseguimos fechar tudo do zero com a super ajuda do meu sogro: ou seja, em um mês fechamos novo local pra festa, o que fez cair o catering previamente fechado; fotógrafo, que acabei levando do Brasil, pois além de sair mais em conta, tinha mais a ver com nosso estilo; DJs, pois como sempre toquei e produzi festas, esse item era super importante pra mim e conseguimos um line-up bacana (Larry Tee, o cara que inventou o electroclash; Daniel Hunt, do Ladytron; Anny+Jo (Achados da Bia) e eu & Ola, que costumamos tocar em dupla por aqui) e para nossa felicidade, conseguimos fechar a festa no mesmo local da cerimônia.

O casamento

Viajamos duas semanas antes do casamento pra Suécia pra fechar a decoração (loucura). Por uma sorte muito grande, o meu sogro pediu ajuda para uma Diretora de Arte, com quem ele trabalhou, a indicação de uma decoradora, pois queríamos fugir um pouco dos padrões tradicionais de casamento. Ela acabou se oferecendo pra fazer isso e ainda cuidou do meu buquê. Em uma semana, ela conseguiu a proeza de produzir tudo exatamente do jeito que queríamos e arrancar elogios de quem estava presente no casório!

Destination wedding na Europa: casamento de Lalai e Ola em Gotemburgo, na Suécia.

Como a gente adora emoção, eu viajei sem ter meu arranjo pro cabelo. Por mais simples que possa parecer, não seria tão fácil, pois o meu vestido tinha um estilo bem particular e não combinava com muita coisa. Na semana que antecedeu o casamento, eu fugi pra Paris para tentar achar algo e não poderia ter tido mais sorte: encontrei um florista incrível que fez um casquete de flores naturais, que foi feito em dois dias e levado por um dos meus padrinhos na véspera do casamento.

Penteado de noiva: arranjo de cabelo estilo casquete natural de flores (mosquitinhos).Noiva moderna de cabelo curto: Lalai e seu buquê de casamento.

A wedding planner que a Bia achou pra gente lá (Bröllopsfixare) foi uma pessoa indispensável nos dias que antecederam o casamento e no próprio dia.

O orçamento saiu mais em conta do que se eu tivesse casado aqui no Brasil, lembrando que aluguei uma ilha inteira, que é um lugar que sobrevive de turismo, e fechei barcos pra levar e trazer os convidados.

O jantar foi uma agradável surpresa, pois o menu foi cuidadosamente preparado se preocupando com pessoas com restrições alimentares, vegetarianos, etc., tudo devidamente sinalizado e em três idiomas (português, inglês e sueco).

A nossa celebrante também foi um achado incrível do meu sogro: era uma padre, que celebrou uma cerimônia não religiosa, fez todo mundo chorar (foi um dos discursos mais lindos que já ouvi) e ainda nos presenteou com o trabalho dela, não cobrando pelo serviço.

Noivo de barba e noiva de cabelo curto: destination wedding na Europa.

No final, deu tudo certo. Tivemos 75 pessoas presentes, que era mais ou menos o que tínhamos em mente. Metade eram brasileiros, o que foi uma proeza, afinal não é tão simples levar tanta gente pra fora do país, em especial para Gotemburgo, uma cidade que não tem qualquer apelo turístico… Ainda assim, foi um casamento ‘grande’ para os padrões suecos.

Recomendações

O casamento foi lindo, a experiência foi incrível e me deixou nas nuvens por dia. Sempre falei que não queria casar, achava desnecessário, mas foi tão bacana compartilhar o ‘nosso momento’ com pessoas tão especiais pra nós; ver meus pais fazerem a primeira viagem internacional deles e estarem num frenesi sem fim com tudo, surpresos e felizes depois que já tinham se ‘conformado’ de que eu não me casaria…

Eu recomendo ter uma wedding planner, mas acho que faz diferença ter alguém ‘lá’ também onde você vai casar, que não necessariamente seja uma pessoa envolvida diretamente com o casamento, mas que tenha tempo disponível e contatos para que você não caia apenas em empresas ligadas a casamento, em especial se você quer algo tão tradicional. No nosso caso, as pessoas indispensáveis foram os pais do noivo, que nos ajudaram a fechar várias coisas e chegar em algumas pessoas que fizeram a diferença no resultado final.

Destination wedding: casamento Lalai e Ola na Suécia.

Uma falha foi a gente não ter pesquisado melhor alguns costumes locais, o que deu um toque levemente americano (ou brasileiro) ao casamento. Um exemplo foi colocar ‘traje social’, sendo que na Suécia eles são menos formais em casamento. Vestido longo é bem pouco usado e praticamente só as brasileiras estavam de longo… Uma das minhas madrinhas, inclusive, usou de vestido curto, pois longo sequer passou pela cabeça dela (ela estava chiquérrima e linda). Um dos padrinhos estava com a calça dobrada e de tênis.

Outra coisa que recomendo quando for casar fora, é ter uma programação além do casamento. No nosso caso tivemos um happy hour na véspera do casamento, para dar boas-vindas aos amigos e familiares, em especial aos que vieram de fora. No domingo pós-casamento, fizemos um drink na casa da família do Ola, o que foi super especial, pois é muito bacana você reencontrar as pessoas num local mais descontraído, conversar com calma com os presentes e curtir ainda mais esse momento tão incrível.

Fornecedores

Aproveitando, alguém que foi incrível no processo todo foi o Rosner, que fez um vestido de noiva único e a minha cara, além de ter sido um ótimo ombro em todas as crises que bateram durante o processo (afinal, ele está lidando com noivas no dia-a-dia e sabe bem como nos comportamos) e ainda ter salvado duas madrinhas, deixando-as incríveis, pois ambas não tinham vestido até um mês antes do casamento.

Destination wedding: passeio de barco com convidados.

Para quem for casar na Europa, eu super recomendo (super super super) procurar pelo Jeremy Martin (email:[email protected]) – o florista que fez minha cabeça num arranjo que sequer sonhei na vida, em tempo recorde e preço incrível (muito mais barato que qualquer casquete simples). E levem a minha maquiadora, a Juliana Muñoz, que mora em Berlim. A melhor coisa que fiz foi levá-la pra lá pra cuidar do meu make & cabelo, além ainda de cuidar da minha mãe, irmã e duas madrinhas. E para quem for casar na Escandinávia ou Itália, eu recomendo a Malin

Photos of Alvsborgs Nya Fastning, Gothenburg
A tal da ilha de  Alvsborgs Nya Fastning (Foto: TripAdvisor).

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5 thoughts on “Destination wedding: o casamento da Lalai e do Ola”

  1. lalai disse:

    só pra avisar que eu não estava dizendo “sim” pelo whatasap, mas lendo meus votos no celular! hahahaha

  2. Ai que tudooo… adorei as fotos!
    Felicidades ao casal!
    Beijinhos
    Fernanda Oliveira

  3. Larissa Moreira disse:

    Casamento lindo! Felicidades Lalai e Ola!

  4. lalai disse:

    aliás, a hashtag correta foi #olalalai

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